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Cinta modeladora funciona?

A cinta modeladora é um tecido com certa força e resistência projetada para ajudar a moldar o corpo e proporcionar uma aparência mais esbelta. A composição das cintas geralmente é de materiais elásticos e geralmente são usadas ao redor da área da cintura para tentar comprimir e modelar essa parte do corpo.

A cinta modeladora pode ajudar de maneira temporária muitas vezes, e por isso algumas mulheres usam por debaixo das roupas, com objetivo de ter uma aparência mais esbelta, sem a indesejável “barriguinha. Basicamente, o uso da cinta modeladora comprime a área e “segura” a pele e a gordura no lugar sem deixar espalhar para as laterais do corpo.

Deve-se saber que usar a cinta modeladora não é uma solução permanente para a perda de peso ou a mudança na forma do corpo; devem ser usadas apenas pelo período seguro indicado pelo profissional da saúde. A cinta ajuda na aparência de maneira fugaz; afinal, elas não queimam gordura e não tonificam os músculos. Qualquer redução na circunferência da cintura é temporária e desaparece assim que a cinta é removida.

Estudos mostram que o uso prolongado de cintas modeladoras pode ter ação negativa no corpo. Embora o objetivo seja muitas vezes afinar a cintura, a compressão externa contínua pode dificultar a respiração e a digestão, causar desconforto e até mesmo prejudicar órgãos dentro do abdome (raro).

A verdade é que não existe um dispositivo milagroso para secar a barriga tão rápido. É importante lembrar que a saúde decorre de uma combinação de alimentação saudável, exercícios regulares e hábitos de vida saudáveis. É recomendado sempre acompanhamento médico nutricional para potencializar sua saúde de maneira segura e constante.

Quando pode usar cinta modeladora?

A cinta abdominal é usada especialmente em caso de cirurgias na coluna, algumas cirurgias nos órgãos abdominais e em muitos tipos de cirurgias plásticas mais notadamente variações da abdominoplastia (miniabdominoplastia, lipoabdominoplastia,etc) e lipoaspiração/lipoescultura. Usando no pós cirúrgico, alguns profissionais acreditam que ajuda na cicatriz (pois diminui a tensão) e minimiza chance de abertura dos pontos internos e externos (deiscência).

A cinta ajuda no pós-operatório de cirurgia plástica pois ajuda a reduzir o inchaço e a retenção de líquidos que ocorrem após as cirurgias, além de diminuir a tensão dos pontos.
Dependendo do caso, indica-se o uso contínuo das cintas, inclusive durante a noite de sono. Ou seja, basicamente a cinta só é retirada para tomar banho.
Muitos pacientes referem que se sentem mais confiantes em usar a cinta modeladora após sua cirurgia e isso causa um bem-estar.

Mulher grávida pode usar cinta modeladora?

Até o momento, não existe consenso se é recomendado que mulheres grávidas usem cintas modeladoras. Cada obstetra tem sua conduta sobre esse assunto. Sabemos que durante a gravidez, o crescimento do útero e o ganho de peso somado a distensão dos músculos abdominais são alterações comuns. Como as cintas modeladoras são projetadas para comprimir e moldar o corpo, acabam por pressionar o abdome gravídico e, eventualmente, pode restringir o crescimento adequado do útero e prejudicar o desenvolvimento do feto.

Pode usar cinta após a gestação?

Outra questão é saber se pode usar cinta abdominal após a gestação, ou seja, quando o bebê já nasceu. Nesse tópico, também não temos consenso; alguns obstetras consideram que a cinta ajuda no contorno, mas pode prejudicar a ação dos músculos abdominais a se recomporem novamente e atuarem na parede abdominal. O uso da cinta estaria “roubando” a ação muscular, deixando o músculo sem contração.

Existem médicos que acham que a cinta abdominal pode causar prisão de ventre, mas isso não é consenso também. O ideal é sempre discutir com o seu obstetra qual a conduta específica para seu caso.

Cinta modeladora ajuda na postura?

Sim, as cintas modeladoras podem fornecer algum suporte e atuar melhorando a postura. Isso depende do tipo de cinta e da sua especificidade. Elas são projetadas para envolver a área da cintura e geralmente têm uma estrutura rígida ou faixas de suporte que ajudam a sustentar a região lombar.

Existem cintas ortopédicas que são diferentes das cintas modeladoras; as cintas ortopédicas têm ação funcional mais específica e devem ser indicadas pelo ortopedista. Ao usar essas cintas, o objetivo é fornecer um suporte adicional à coluna vertebral, ajudando a manter uma postura mais ereta. Isso pode ser benéfico, especialmente para pessoas que têm tendência a curvar ou ter postura inadequada.

Para quem usa a cinta modeladora, pode até sentir um benefício na postura também, mas isso é como se fosse um “extra” pois não é a função primordial, não é uma solução permanente para corrigir a postura. Ela pode ser útil como uma medida temporária ou complementar, mas a abordagem mais eficaz para melhorar a postura a longo prazo é por meio do fortalecimento dos músculos do tronco e das costas, juntamente com exercícios de alongamento e conscientização postural (ex: RPG).

Existem riscos de usar cinta modeladora?

Existem pessoas que usam a cinta modeladora sem a devida orientação de profissional da saúde. O uso diário da cinta abdominal muito apertada é arriscado pelos seguintes motivos:

  • Pode causar enfraquecimento dos músculos abdominais e das costas, deixando a barriga mais flácida e piorando a postura. O motivo é que os músculos dessas regiões não são acionados e forma um ciclo vicioso, havendo cada vez mais necessidade de usar a cinta para ‘afinar a cintura’ e supostamente melhorar a postura.
  • Dificuldade para respirar; quando se aumenta a pressão dentro do abdome, o diafragma tende a subir e isso vai contra o movimento natural da respiração que empurra o diafragma para baixo na inspiração.
  • Pode prejudicar a digestão, especialmente se tiver pressão excessiva da cinta sobre o estômago e outros órgãos digestivos. Isso acaba dificultando a passagem de sangue para os órgãos digestivos além da compressão direta sobre eles que pode, eventualmente, prejudicar o peristaltismo (isso não é consenso).
  • Prisão de ventre (ou constipação intestinal), tanto pela compressão extrínseca direta como por afetar a movimentação do diafragma para baixo que ajuda o esvaziamento intestinal, mas com o uso da cinta esse movimento não acontece como deveria.
  • Má circulação sanguínea quando ocorre pressão excessiva da cinta sobre uma determinada área, comprimindo vasos e, em alguns casos, pode até causar isquemia ou necrose de pele em pacientes de abdominoplastia.
  • Do ponto de vista psicológico, pode aumentar a insegurança quando a paciente estiver sem cinta, o que é prejudicial à saúde mental e à qualidade de vida.

Existe contraindicação para cinta modeladora?

Sim, existem algumas contraindicações para o uso de cintas modeladoras. Algumas contraindicações podem ser as seguintes, mas sempre pergunte para seu médico sobre seu caso específico:

  • Gravidez: O uso de cintas modeladoras não é recomendado durante a gravidez. A cinta pode dificultar o crescimento do útero e as mudanças físicas durante a gestação. Pode inclusive prejudicar o feto.
  • Pessoas que têm problemas respiratórios, como asma ou dificuldades respiratórias crônicas (ex: doença pulmonar obstrutiva crônica), devem evitar o uso de cintas modeladoras. A compressão na área da cintura pode restringir a capacidade dos pulmões de se expandir adequadamente, dificultando a respiração.
  • O uso de cintas modeladoras também pode afetar o sistema digestivo. A compressão da região abdominal pode levar ao refluxo gastroesofágico e causar mal-estar e queimação. Pacientes com hérnia de hiato ou refluxo ácido precisam de autorização do cirurgião geral para usar cintas.
  • Paciente com cirurgias recentes podem ter cicatrização prejudicada se usar cintas abdominais. Cada caso precisa ser avaliado pelo seu médico.
  • Pessoas com problemas de pele, como infecção de pele, micose no abdome, queimadura, irritações, alergias ou feridas abertas na área da cintura devem evitar o uso de cintas modeladoras, pois a compressão pode agravar essas condições.
Dr. Marcelo Wulkan

Médico cirurgião plástico com doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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